A campanha Agosto Dourado é dedicada à valorização da amamentação, pois o leite materno é um alimento completo, com todos os nutrientes que o bebê precisa nos seis primeiros meses de vida. De acordo com a enfermeira especialista em obstetrícia e docente do curso de Enfermagem da UNAMA Santarém, Erli Marta, além de proteger contra doenças, como diarreia e infecções respiratórias, esse ato é uma troca profunda entre mãe e filho.
“É um gesto de cuidado, amor e entrega”, afirma. A amamentação também contribui para a saúde da mulher, favorecendo a recuperação após o parto, a contração uterina e a prevenção do câncer de mama.
Erli destaca que muitas mulheres enfrentam dificuldades nos primeiros dias, como dor, fissuras ou insegurança sobre a produção de leite. “Às vezes, o bebê não faz a pega correta, causando muito sofrimento. Mas tudo isso pode ser contornado com orientação profissional qualificada. E é comum as mães terem medo de não estar produzindo leite suficiente”, pontua.
Para a especialista, o apoio é indispensável. “A mulher precisa de tranquilidade, segurança e paciência. Isso inclui menos cobranças, divisão de tarefas e presença afetuosa das pessoas próximas”. Quando a rede familiar compreende os desafios da amamentação, a mãe se sente mais fortalecida para seguir.
A atuação da equipe de saúde - Segundo Erli, os profissionais da saúde devem acolher, orientar e escutar. “É preciso conhecer a história da mulher, seus medos e sua vivência. Amamentar não é instintivo para todas. É algo que se aprende. E isso exige tempo e acolhimento”. Ela ainda alerta como comentários julgadores ou pressão podem prejudicar emocionalmente e comprometer a vivência da mãe com a amamentação.
Apoio social - A enfermeira também defende ações estruturais que fortaleçam a prática do aleitamento. “Não basta a campanha do Agosto Dourado. É preciso salas de apoio à amamentação em empresas, profissionais capacitados em lactação e incentivo à amamentação como prática coletiva”. Políticas públicas eficazes, licença maternidade adequada e campanhas educativas contínuas são fundamentais.
Respeito às escolhas - Para Erli, cada mulher tem uma vivência única e o respeito às suas escolhas é essencial. “Amamentar demanda força e coragem, mas, sobretudo, exige que todos ao redor façam sua parte”. Com apoio emocional, técnico e social, mais mães terão condições de oferecer esse gesto tão potente de cuidado e conexão.
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