AMAZÔNIA EM PAUTA
Na tarde da última quinta-feira (13), em paralelo à agenda que o Presidente Luíz Inácio Lula da Silva cumpriu em Belém (PA), ativistas realizaram a abertura de faixas na Baía do Guajará e na Vila da Barca com frases que destacaram o posicionamento contra a exploração de petróleo da Amazônia.
Em uma das faixas era possível ler “ PRESIDENTE LULA, NÃO TROQUE A AMAZÔNIA POR PETRÓLEO.” As ações diretas são feitas em um momento em que discussões sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas tomam conta do debate público e retomam o embate entre apoiadores e opositores, com destaque para as últimas falas do presidente onde este sinalizou ser favorável a pesquisa pela Petrobrás em uma das regiões já consideradas pelo próprio IBAMA como sensível.
“Realizamos a abertura de faixas na Baía do Guajará, em Belém, para expor a contradição do governo federal ao insistir na exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas e pressionar os órgãos técnicos. Precisamos estar atentos, porque apoiar essa exploração significa compactuar com a destruição das comunidades tradicionais que o próprio governo afirma defender. Nosso apelo é ao presidente Lula e aos órgãos responsáveis: a Amazônia não pode ser sacrificada em nome do petróleo, ignorando os impactos nas populações tradicionais e nas mudanças climáticas para beneficiar apenas o capital financeiro”, enfatizou Luis Barbosa, marajoara ribeirinho e Coordenador de Articulação e Redes do Observatório do Marajó
As organizações que puxam a ação defendem que a insistência na exploração de petróleo, diante da crise climática que já impacta a existência e o modo de vida das populações tradicionais, vai na contra mão da mitigação e adaptação climática necessária e urgente, bem como da garantia de uma transição energética justa.
“O presidente argumenta que a exploração de petróleo é necessária para financiar a transição energética, mas a própria Petrobras já admitiu ter investido mais de R$ 500 milhões apenas em pesquisas na área do bloco 59. Essa conta não bate”, rebate Luis, ao retomar a fala do presidente onde este diz que não se pode ficar nessa lenga-lenga com relação ao IBAMA precisar liberar a pesquisa para Petrobras.
A ação é promovida pelo Observatório do Marajó - organização composta por lideranças de comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas - junto ao Coletivo Barca Literária e pescadores da Vila da Barca em Belém, com apoio da 350.org e é mais um dos esforços e ações em defesa do direito dos povos e comunidades tradicionais a uma transição energética justa e justiça climática.
Imagem: Eliseu Pereira
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